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Tal qual uma matrioshka (boneca russa), vamos desvendando nossas porções. A cada novo tempo, uma nova aprendizagem. Agora é o momento de nos vermos como seres holísticos que têm: corpo, organismo, cognição (intelecto), inconsciente (desejo) e mente (consciência, espírito).

ANGELINI, Rossana Maia (2011)

“A falsa ciência cria os ateus, a verdadeira, faz o homem prostrar-se diante da divindade.”

VOLTAIRE (1694 -1778)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Queridos leitores



Cada ano que se inicia traz uma nova canção, uma nova autoria, para reinventarmos a vida...
Rossana Maia Angelini

Um novo ano está a caminho para novas conquistas, novos interesses, novas possibilidades... A vida é uma eterna reinvenção. A cada tempo, um novo aprendizado. Encarar a vida como possibilidade de aprender, para renovar o espírito, é a maior conquista humana.
O conhecimento é o que nos move e o que nos permite nos encontrar, nos conectar. Somos o que pensamos, portanto, vamos “alargar” nosso espírito, a fim de que possamos construir melhores caminhos para a Vida, para despertar o Deus que mora dentro de nós.
Agradeço a todos a conexão que estabelecemos ao longo desse ano de 2011. O percurso continua aberto para novos encontros, novos conhecimentos, novas conexões, para a compreensão do quem somos nós.
Jesus disse: “Que aquele que procura não deixe de procurar até que encontre. Quando encontrar, ficará perturbado. Quando estiver perturbado, ficará maravilhado e dominará tudo.”
(MEYER, Marvin. O Evangelho de Tomé - As sentenças ocultas de Jesus).
Feliz Espírito de Natal a todos e um Feliz Ano Novo para novos começos e recomeços.
Com eterno carinho,
Rossana Maia Angelini

domingo, 30 de outubro de 2011

TEXTO PARA REFLEXÃO DOS PAIS, PROFESSORES, EDUCADORES: CONVERSAR - A DISCIPLINA QUE FALTA NAS ESCOLAS, NA VIDA



        Creio que a maior dificuldade humana é compreender e desenvolver a espiritualidade, a compreensão do que dá sentido à vida. Talvez, o grande motivo é não poder ouvir nossa essência.
        Desenvolvemos tanta tecnologia para nos reinventarmos no planeta que estamos nos esquecendo da essência que nos move e que nos permite o sentido do amor. O auge de uma perspectiva materialista da vida se iniciou no século XVII, com o advento da Idade Moderna – de lá para cá – o que tem nos regido é o capital, no sentido de acúmulo desenfreado. Desde então, nossa história tem nos encaminhado para um mundo cada vez mais materialista, tendo seu auge no século XIX, quando os cientistas “matam” Deus. Nasce o cientificismo materialista. O mundo rapidamente cresce com as novas descobertas e o sistema passa a nos impulsionar para o “ter” desmedido.
        Dessa forma, o tempo fica escasso, o nosso tempo se materializa e se torna um bem de consumo “tempo é dinheiro”. Nesse ritmo, as pessoas deixam de eleger o humano como centro do processo das relações, deixam de refletir sobre a essência da vida, e as rodas de conversa saem de cena, para dar lugar ao desencanto, ao desencontro virtual. Estamos todos em rede, por meio de trocas fragmentadas e rápidas, econômicas até na linguagem, os significados e significantes, nessa nova ordem, estão reinventados, abreviados, num tempo abreviado, também. Não há mais espaço para o acolhimento, para o olhar humanizador. Tudo gira em torna da máquina, e a pessoa – o sujeito dialógico – se perde, na virtualidade de um mundo online. Volta não há. Para essa nova forma de relação, o que precisamos é reinventar o “toque humano”.
        As crianças e os jovens estão abandonados em outro lugar que ainda não compreendemos, num mundo construído com novos signos e significados, com novas formas de amar e de se relacionar. O encontro do olhar, nessa nova ordem, sai de cena. Talvez, esse movimento esteja cooperando para o aumento do bullying, do estresse, da depressão, da síndrome de burnout e de tantas outras patologias que adoecem nossa alma. Às vezes, penso que nossa vida interior não existe mais, tornou-se fruto de uma efêmera ilusão...
        Entramos no jogo... Tenho recebido muitos relatos de crianças, jovens e professores estressados, na sala de aula. Em virtude de tanto abandono, querem contar, falar sobre suas aventuras do fim de semana, mas, caímos na armadilha do tempo, e se prioriza o conteúdo pelo conteúdo, distante e vazio, da realidade da criança. Uma grande armadilha para ambos: professores e alunos, desconectados ou desconhecidos? Não sabemos mais quem são nossos alunos, com quem convivemos durante tantos anos, falta conversa.
        A escola tem deixado de abrir espaços para a conversa da criança, para seu contar, para a troca e para a reflexão. Talvez, por receio de “perder tempo” quanto ao conteúdo a ser ministrado, são tantas as avaliações – quantitativas, nesse sistema quantificado que vivemos que a vida pede licença: onde está o humano?
Por isso, podemos pensar em tanta indisciplina, tanta agressão, tantas mortes, tanta tristeza, nas escolas, nas ruas, nas casas, no trabalho, na vida... Falta espaço para a conversa enquanto troca, reflexão, desconstrução, construção, reinvenção de novas idéias, valores e atitudes. Penso que é fundamental um espaço para a conversa, como prevenção de vários problemas, como já vimos, entre pais, filhos, professores, comunidades.
Há de chegar o tempo em que as crianças e os adolescentes não serão vistos mais como máquinas de estudar, e tempo não será visto como dinheiro. Há de chegar o tempo de revermos concepções ultrapassadas, mesquinhas que geram tanta corrupção pela loucura do poder e pelo dinheiro, deuses dos tempos modernos. Há de chegar o momento que reinventaremos a vida, como essência de um mundo mais sereno, mais calmo, mais humano.
Há de chegar o tempo do encontro com o sagrado, com o divino que nos dignifica, com o outro que nos humaniza e nos espiritualiza!
Rossana Maia Angelini

SAUDADES...

       Luna – minha lua prateada, chegou sutil e frágil em minha vida. Com ela, aprendi a força de outro amor, da luta, da dedicação. Seu olhar profundo ensinou-me a me olhar nas profundezas da vida de olhos tão expressivos. Seu olhar sempre encontrou o meu e, nessa profundidade, mergulhávamos para nos compreender. Aprendi com sua meiguice, com seu jeito único de me proteger e de me envolver. Luna com você cresci, mais um pouco, nessa caminhada tão cheia de incógnitas. Lembrar de seu olhar é o que me ampara, o que pode aquecer meu coração e saber que a vida é única e, por isso, como precisamos celebrá-la. Luna, obrigada por ter iluminado pelo meu caminho...
Minha doce poodle, minha doce amiga!
Rossana Maia Angelini

TEXTO PARA REFLEXÂO: ENVELHECER NO CORPO, CRESCER NA ALMA


        A vida é aprendizagem constante. Assim, deveríamos encarar todo o percurso que temos a viver. Creio que o envelhecimento do corpo faz parte dessa trajetória e, para muitas pessoas, vai na contramão, pois o corpo envelhece, mas a alma parece crescer, aperfeiçoa-se nesse processo.
Envelhecer deveria nos dirigir para o encontro do amor e da sabedoria constante. Um aperfeiçoamento que precisamos buscar em vida enquanto estamos. Talvez a sabedoria resida nesse caminhar para a serenidade, para a compreensão mais alargada do outro. Entretanto quantas pessoas envelhecem, estão na terceira idade e não se dão chance de crescer na alma, de ser uma pessoa melhor, mais afetiva, mais compreensiva, mais acolhedora.
        É interessante olhar para a velhice e ver tanta gente endurecida – pessoas que passaram grande parte da vida hostilizando outras pessoas, julgando, muitas amargas, e que permanecem nesse mesmo lugar, apesar do afeto com que são tratadas por outras pessoas mais humanizadoras. Penso que envelhecer é se dar a chance de confraternizar, de semear carinho e amor. No entanto, como chegar a esse caminho, se a vida foi tão dura e maltratou tanto, por tanto tempo? Como compreender esse movimento?
        Muitas pessoas na terceira idade conseguiram dar o salto, perceberam-se e se tornaram melhores, mais amáveis, mais acolhedoras. Porém, muitas ainda permanecem na sua rigidez, no orgulho, no egoísmo, na impossibilidade do afeto, da ternura, de um gesto de generosidade, verdadeiro. Triste!
        Muitas pessoas vivem tanto tempo e não se dão conta de que pararam no tempo, olhando para si mesmas como vítimas eternas de seu próprio desamor. Envelhecer requer sabedoria e, acima de tudo, humildade para perceber-se e sentir, verdadeiramente, o outro. Nem todas estão preparadas... Entender tal procedimento, entende-se, mas o convívio torna-se áspero, artificial, distante.
        Não é porque envelhecemos que nos tornamos “santos”, o respeito é fundamental por parte de todos, sempre! Agora, o amor...? Fica o convite à reflexão.
Rossana Maia Angelini



domingo, 18 de setembro de 2011

TEXTO PARA REFLEXÃO: QUEM SOMOS NÓS?


Essa é a grande pergunta que nos move e nos faz seguir... Somos seres em busca de nossa compreensão, de nosso destino humano. Somos, em essência, seres de relação, sistêmicos, estamos presos a uma rede de relações que nos move.
A todo tempo, nossas relações são atravessadas por nosso desejo, por nosso corpo, por nosso organismo, por nossas emoções, por nosso inconsciente, por nossa alma. Creio que, acima de tudo, somos atravessados pelo inconsciente, aquela parte submersa em nossas profundezas que nem sempre temos acesso.
Lacan, foi um psicanalista francês, discípulo de Freud, e uma de suas máximas é que somos seres de desejo, desiderantes. Entretanto, de que desejo se fala? Do nosso desejo? Do desejo do outro? Falamos do maior desejo humano, segundo o autor – o desejo de nos sentirmos desejados. Isso que nos implica com as pessoas, com as coisas do mundo; pois o que mais queremos é ser olhados, acolhidos, amados e, assim, pertencer.
Enfim, nossas relações estão permeadas, inconscientemente, pelo desejo do outro e o quanto valorizamos isso. No entanto, precisamos aprender que o desejo do outro só acontece ou significa algo se nós nos desejarmos, acima de tudo, se nós investirmos em nós, em nossa capacidade de ser uma pessoa inteira, com suas possibilidades, com suas dificuldades, uma pessoa que se permite ter autoria e autonomia sobre sua vida. Desejar-se, investir-se de desejo é o caminho para uma vida melhor. Na verdade, mais do que o ato sexual em si, o que mais desejamos é o desejo de nos sentirmos desejados – fica o convite à reflexão.

Rossana Maia Angelini

sexta-feira, 22 de julho de 2011

SER FELIZ: MITO OU REALIDADE?


Rossana Maia Angelini

“Felicidade
Brilha no ar
Como uma estrela
Que não está lá
Conto de fadas
História comum
Como se fosse
Uma gota d’água
Descobrindo que o mar é azul”

Ivan Lins

Para ser feliz
é preciso abrir um olho para o encantamento
e deixar o outro entreaberto para a realidade.

Rossana Maia Angelini


Receitas para ser feliz existem muitas. No entanto, o que é ser feliz, hoje? Existe uma medida, um padrão?
Ser feliz é um estado de espírito, é um adjetivo que qualifica um sentimento que, por sua vez, só existe se houver alguém que possa senti-lo ou não. Esse é um dos mais singelos sentimentos que depende do humano, para que possa existir. Compreendemos, então, que para esse sentimento ganhar forma, precisamos construí-lo, em nosso dia a dia, abrindo espaços para que possa acontecer.
O que desencadeia “o ser feliz”? Serão coisas materiais, serão gestos, serão atitudes? Serão outras pessoas que provocarão esse sentimento? Serão os desafios, as conquistas, os filhos, o marido, a esposa, a família, o carro novo, a casa própria? Ser feliz está em nossas mãos? Como ser feliz num mundo carregado de tanta injustiça, tanta dor? É difícil responder. É tão subjetivo!
Por isso, reafirmamos “ser feliz” é uma construção intrapsíquica e interpsíquica, está dentro de nós, na relação que estabelecemos conosco, interiormente, e/ou por meio das relações que estabelecemos com os outros, com o mundo. Portanto, algo subjetivo que depende do como encaramos o contexto em que estamos inseridos e nos relacionamos com ele. Por isso ser feliz é tão diverso.
Precisamos cuidar do mito “ser feliz”, a fim de compreendê-lo em sua inteireza e não nos deixarmos envolver pela eterna expectativa de ser feliz e nunca chegar lá. Como já apontamos, esse é um estado de espírito em que implica construção, logo ser feliz é ponderar sobre a nossa realidade, não de forma dura, racional, mas nos dar a chance de nos compreendermos no mundo presente. Cremos que para isso, é necessário sentir a felicidade e o que nos torna felizes, de fato. Esse é um trabalho de introspecção e de alma. Para ser feliz é imprescindível se reinventar a cada amanhecer e acreditar nas possibilidades de transformarmos nossa caminhada.
Por que falamos, então, que felicidade é um estado de espírito? Ser feliz é uma parcela do sentimento de amor que construímos ao longo de nossa vida. Nesse sentido, o Amor é o maior de todos os nossos sentimentos, dele se irradia tudo o que podemos viver, todos os outros sentimentos com maior ou menor intensidade e/ou frequência. Tudo depende das conexões que podemos estabelecer com o Sagrado, com o Divino, com o Supramental, uma Consciência Unificadora, da qual todos nós fazemos parte, já que somos seres espirituais. Somos parte de uma Energia que nos move e que nos permite a conexão com nossos pensamentos, com nossos desejos.
Na verdade, somos o que pensamos; pois nossos pensamentos (= Energia) têm a capacidade de materializar nossos pensamentos, quando sinceros. Por meio da vibração do pensar, irradiamos um sentimento, uma emoção que alinhados propiciam a criação de uma realidade material.
Tudo no universo é formado por energia que conecta tudo e todos, por meio da vibração que tem a capacidade de alterar nossas moléculas que formam a matéria, logo nosso mundo mental – extrafísico - cria a nossa realidade. Dessa forma, podemos ser o que quisermos e sentirmos o que quisermos, tudo depende da energia (= vibração) que move nossos pensamentos e ações. Assim, nos conectamos com o Supramental e criamos nossa realidade.
Ser feliz ou não também implica em energia, bem como todos os outros sentimentos que nos movem. Tudo se dá por meio de aprendizagem, de escolhas e, acima de tudo, de sermos fieis ao maior de todos os sentimentos – o Amor – e para ser feliz é necessário vibrar positivamente, para que a felicidade seja construída.
A chave mais poderosa do universo é o Amor – portanto, vibrar amor (= energia positiva) continuamente é o que permite nossa conexão, apesar de todos os senões, de todas as barreiras, de todas as intempéries, de todo o sofrimento que enfrentamos.
Parece-nos que, hoje, estamos descobrindo o compromisso com a vida no planeta e a necessidade do respeito, da ética nas relações que estabelecemos; pois estamos todos envolvidos, em toda e em qualquer decisão a ser tomada, sofremos as consequências.
O homem esteve (ainda está) refém da ilusão da materialidade para ser feliz e, por conta disso, caiu na armadilha de nunca alcançar a tão sonhada felicidade e passou a viver em devaneio, sem regras, sem limites, sem respeitar-se e respeitar o outro. Quem é o outro, afinal? O outro sou eu também, portanto, somente por meio de uma aprendizagem que olhe para todos os aspectos da vida, de forma sistêmica, nos libertaremos da expectativa de que para ser feliz é preciso ter, apenas.
Ser feliz é um estado de espírito (energia), está subordinado a nós, a nossa possibilidade de escolha ser ou não feliz. Cremos que isso depende, acima de tudo, do paradigma sob o qual vivemos; pois é a partir dessa compreensão que poderemos encontrar ou não a felicidade tão almejada. Ser feliz é ser, o que demanda uma revisão de nossa espiritualidade/materialidade, dos valores que foram se constituindo nesses últimos séculos, por conta de um crescimento material desenfreado em detrimento ao culto da espiritualidade – da humanização das relações. A felicidade é um sentimento tão simples, tão sutil que, muitas das vezes, não nos damos conta e ela passa despercebida.
***

domingo, 26 de junho de 2011

Texto para reflexão: Os filhos serão nossos?



Seus filhos não são seus.
São filhos e filhas da vida e da ânsia de viver.
Vêm do mundo através de você,
mas não são uma extensão do seu ser.
Estão com você, mas não lhe pertencem.
Podem receber o seu amor, mas não os
seus pensamentos, pois têm os seus próprios.
Você pode acolher seus corpos, mas não suas almas,
pois elas habitam o amanhã; algo que você
não conhece sequer em sonhos.
Pode tentar ser como eles, mas jamais
fazê-los serem iguais a você.
Você é o arco e as crianças são as flechas
disparadas em todas as direções.
Pois seja flexível e deixe que o arqueiro as
arremesse diretamente para a felicidade.

GIBRAN KHALIL GIBRAN, O Profeta – in CARROLL, Lee & TOBER, Jan. Crianças Índigo. São Paulo: Butterfly, 2005.
(Nasceu no Líbano, no final do século XIX e sua poesia marca o horizonte existencial)

Deixem seus depoimentos sobre essa reflexão.