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Tal qual uma matrioshka (boneca russa), vamos desvendando nossas porções. A cada novo tempo, uma nova aprendizagem. Agora é o momento de nos vermos como seres holísticos que têm: corpo, organismo, cognição (intelecto), inconsciente (desejo) e mente (consciência, espírito).

ANGELINI, Rossana Maia (2011)

“A falsa ciência cria os ateus, a verdadeira, faz o homem prostrar-se diante da divindade.”

VOLTAIRE (1694 -1778)

domingo, 12 de novembro de 2017

Burnout: a doença da alma na  educação e sua prevenção

Burnout: soul's disease in education and its prevention


RESUMO

Esse artigo tem como intuito propor uma reflexão acerca dos novos caminhos da educação no século XXI. Consideramos relevante propor uma discussão sobre os novos paradigmas que redirecionam a vida humana e as implicações sobre a educação nesse processo. Vamos, portanto, eleger as implicações filosóficas que a física quântica traz como porta-voz na ativação dos novos princípios que regem o mundo e a ciência contemporânea, que inclui a espiritualidade como condição humana, dentro de uma abordagem transdisciplinar para a compreensão de uma síndrome - burnout, sintoma de uma educação adoecida que leva professores e alunos a um sofrimento psicofisicoespiritual.

Unitermos: Educação. Esgotamento profissional. Espiritualidade.


SUMMARY

This article has the intention to propose a reflection on the new paths of education in the 21st Century. Consider it important to propose a discussion about the new paradigms that redirect human life and the implications for education in this process. Let's therefore elect the philosophical implications that quantum physics plays in its role in the activation of new principles ruling the world and contemporary science, including spirituality as a human condition for a transdisciplinary approach to the understanding of a syndrome - burnout, symptom of a diseased education that leads teachers and students to a psychological physical and spiritual suffering.
Key words: Education. Burnout, professional. Spirituality.



INTRODUÇÃO

"O novo paradigma é abrangente; trata-se de uma ciência da espiritualidade, que inclui a materialidade. Ativismo quântico é a ideia de transformarmos a nós mesmos e nossas sociedades segundo as mensagens transformadoras da física quântica e do novo paradigma."
Goswami, 20101
Entramos no Terceiro Milênio, já não é mais possível conceber a vida de forma tão rasa, sob uma única perspectiva material. As ciências contemporâneas têm trazido suas contribuições para o avanço sobre a compreensão do humano.
Esse projeto nasce dentro de uma concepção psicopedagógica do atendimento clínico, a partir da formação de um grupo reflexivo para educadores, professores e psicopedagogos, cuja finalidade foi a de possibilitar a esses profissionais um questionamento sobre suas modalidades como ensinantes, suas ações, emoções, aflições e desejos ao exercer sua práxis educativa. O objetivo foi o de que colocassem em palavras suas emoções, a fim de nomeá-las e identificá-las, para, então, repensar os processos que os fazem adoecer e poder combatê-los por meio da reflexão, como fortalecimento psíquico e espiritual. Ainda, pensamos no grupo reflexivo enquanto prevenção, um canal para os educadores lidarem com a insatisfação, a frustração e o estresse cotidiano.
Nosso trabalho se desenvolveu em quatro encontros e, nesse espaço, pudemos perceber a angústia que tem comprometido a ação do professor, fundamentalmente, nesse início do século XXI, quando os valores delineiam-se de forma confusa e invertida frente à qualidade das relações interpessoais, cada vez mais desumanizadoras e displicentes com a vida. Moraes2 nos aponta que a Educação caminha para a Era das Relações - em que todos reflitam sobre as dimensões materiais e espirituais da sociedade, por uma educação que possibilite uma convivência harmônica entre os indivíduos:
"É essa capacidade de reflexão que leva o indivíduo a aprender, a conhecer, a pensar, a aprender, a aprender a fazer, a aprender a conviver e a aprender a amar, para que possa aprender a ser, e estar em condições de agir com consciência, autonomia e responsabilidade. Responsabilidade consigo mesmo, com a sociedade e com a natureza, o que implica o desenvolvimento de uma nova ética apoiada numa nova consciência individual, social e planetária, uma nova compaixão universal, centrada no equilíbrio da comunidade terrestre."2
Um dos primeiros aspectos levantados para a reflexão foi a doença que acomete o profissional da educação, tirando-o, muitas vezes, do eixo e, consequentemente, do campo de trabalho. A doença vem como um mecanismo de defesa, ao não suportar mais uma relação tão complexa no espaço escolar, uma violência àquele professor que vai se deixando exaurir e consumindo-se por completo, resta a doença, hoje, já nomeada: a síndrome de burnout.

SINDROME DE BURNOUT

Do inglês, to burn out - queimar por completo - síndrome de burnout é conhecida também por esgotamento profissional. Consideramos a síndrome como uma das consequências mais graves do estresse ou de desgaste profissional, o que é provocado por sentimentos de exaustão, de frustração, de incapacidade, bem como leva o profissional a sentir-se culpado por não realizar o trabalho de acordo com o desejado e carregar o estresse para casa. Esses são alguns dos aspectos que vão consumindo física e emocionalmente o professor, que pode passar a ficar irritadiço e depressivo. Como nos aponta Codo3:
"Burnout foi o nome escolhido; em português, algo como 'perder o fogo', 'perder a energia' ou 'queimar (para fora) completamente (numa tradução mais direta). É uma síndrome através da qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que as coisas já não o importam mais e qualquer esforço lhe parece ser inútil. (...) Como clientela de risco são apontados os profissionais de educação e saúde, policiais e agentes penitenciários, entre outros."3
Para que essa patologia e outras, como depressão, estresse e doenças psicossomáticas, não aumentem significativamente entre esses profissionais, cremos que algumas intervenções precisam ser realizadas dentro ou fora do espaço escolar. Dentre as possibilidades, buscamos no grupo reflexivo um caminho para atenuar tais problemas. Por meio da troca entre os professores, elegemos a fala como caminho da reflexão para questionarem suas apreensões, angústias, etc. Esse trabalho tem permitido aos educadores conversar e enfrentar seus problemas para compreender e buscar uma solução, em que a mediação cabe ao próprio grupo, quando cada um tem oportunidade de externar suas queixas e dar vazão àquilo que o incomoda profundamente. Andersen4 tem nos ajudado a pensar no movimento dialógico do grupo:
"Consideramos as conversas como fonte importante para a troca de descrições e explicações adequadamente diferentes, de definições e de significados. Essas trocas podem dar um novo tom às antigas descrições e explicações, e até fazer surgir outras novas. Proporcionam, assim, uma base o mais ampla possível de escolha para que a pessoa possa tratar, de uma forma diferente, situações paralisadas, ou reagir a novos fatos, sejam eles previstos ou não."4
A reflexão tem nos proporcionado uma atitude, uma voz para que compreendamos essas questões, sob diferentes enfoques, como o reconhecimento da mudança de paradigma - o que tem gerado grandes conflitos na sociedade, essencialmente, nas diversas relações que estabelecemos.
Trabalhamos, hoje, na formação dos novos professores, com teorias de ponta que tratam do homem enquanto construtor de seu conhecimento e, acima de tudo, da importância da autoria, da autonomia de pensamento, do respeito à diversidade, da tolerância, da inclusão, do respeito às possibilidades, às diferentes inteligências, por meio de um olhar holístico e sistêmico. Autores como Piaget, Vygotsky, Wallon, Freud, Klein, Dolto, Winnicott, Morin, Perrenoud, Freire, Maturana, Golleman, Gardner, Rogers, Mantoan, Latouche, na psicologia Jung; Luhman, na sociologia; Prigogine, na química; Maturana, na biologia; Einstein, na física; Goswami, na física quântica e muitos outros ajudam-nos a ampliar o olhar sobre as novas relações que devem mediar a educação. Ainda, temos trabalhado com novas disciplinas, como Inclusão, Educação Ambiental, Ecopedagogia, Psicopedagogia, Psicanálise, Relações Interpessoais - esses estudos demonstram, com certeza, uma mudança de paradigma para uma nova compreensão das relações homem e mundo. Logicamente, essas novas contribuições têm alargado nossa concepção de homem e de mundo, o que nos permite articular outros conhecimentos para uma compreensão holística e sistêmica do homem. Pensamos, dessa forma, em um novo profissional e em uma nova educação que possa abrir espaços para o diálogo, para a reflexão.
Temos observado que a necessidade de pensar o mundo como nossa casa e as pessoas como pertencentes à comunidade humana partiu de um grande amadurecimento científico, dentre eles, a Física Quântica, que abriu novos caminhos para que pudéssemos dar um salto em nossas pesquisas. Tudo isso, ainda, é muito novo e difícil de ser colocado em prática, em nossas ações cotidianas e em uma nova concepção de educação.
No entanto, cremos que é chegado o momento de compartilhar as novas aprendizagens e colocá-las para novas reflexões, já não é mais possível ver toda uma sociedade sofrendo por falta de uma educação inadequada, ultrapassada, focada no "ter" e que não focaliza o humano enquanto sujeito holístico e sistêmico, em nenhum momento. Daí tantas doenças acometendo professores, alunos, pais e toda uma sociedade que se perde, em meio a relações tão conturbadas.
Dessa forma, vamos apresentar alguns aspectos dessa nova forma de entender o homem, para que possamos divulgar, de fato, uma nova maneira de compreender as relações humanas, dentro das escolas, a partir desse novo século, dentro de uma abordagem transdisciplinar.
Vamos trabalhar com a concepção de transdisciplinaridade de Nicolescu (1997) - professor da Universidade de Paris e diretor do Centro Internacional de Pesquisas e Estudos Transdisciplinares (CIRET)5. Assim, as ideias de Nicolescu estão fundamentadas na física quântica, e os seus três pilares são os níveis de realidade, a lógica do terceiro incluído e a complexidade. O autor considera a transdisciplinaridade, como:
"(...) o prefixo trans indica, ao que está entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de cada disciplina. Sua finalidade é a compreensão do mundo presente, da qual um dos imperativos é a unidade de conhecimento."5
Para o autor, a transdisciplinaridade é uma nova abordagem científica, cultural, social e espiritual. O prefixo trans aponta para o que está simultaneamente entre as disciplinas, através das disciplinas e além de qualquer disciplina. O intuito dessa nova abordagem é nos levar para a compreensão do mundo presente e à unidade do conhecimento. Apresenta, então, uma abordagem holística, em que inclui uma inteligência espiritual - base científica para compreensão da dimensão espiritual.
O termo transdisciplinaridade, de acordo com Nicolescu5, foi apresentado pela primeira vez por Piaget, em Nice (1970) - na Universidade de Nice, durante o I Seminário Internacional sobre pluri e interdisciplinaridade:
"Enfim sucedendo a etapa das relações interdisciplinares, pode-se esperar uma etapa superior que será transdisciplinar, que não se contentará em atingir interações ou reciprocidades entre pesquisas especializadas, mas situará essas ligações no interior de um sistema total sem fronteiras estáveis entre as disciplinas."5
Piaget já nos apontava a construção de um novo conceito para dar conta de uma nova compreensão mais ampla do homem. A transdisciplinaridade propõe a articulação dos mais diversos saberes, pondo em ênfase uma visão holística de homem que considera sua dimensão espiritual. Ainda queremos ressaltar que para a compreensão do homem, nesse milênio, não é mais possível vê-lo como um ser raso, preso ao mito da materialidade. Devemos considerar as diversas disciplinas de estudo para que nosso entendimento seja ampliado, e possamos desenvolver o autoconhecimento e o comprometimento com a vida em suas dimensões material e espiritual. O termo espiritual carrega um estigma, ranço do apogeu de uma ciência materialista reducionista. Sua utilização em vários campos de estudos provocou uma depreciação do termo. Queremos, portanto, justificar seu uso. De acordo com Souza Follmann6:
"Espiritualidade, aqui, é reconhecida como um elemento inato e essencial de todas as pessoas, que é refletido nas expressões de diferentes camadas de conectividade que espiralam de dentro para fora para se ligar com o Outro social, comunal e físico, mais ainda para dentro para encontrar o Eu interior e finalmente, o Outro Transcendente. Estas camadas de conexão podem transcender cenários e fronteiras religiosas, sociais, culturais e políticas, ainda que as expressões possam ser influenciadas por tais fatores. É a conectividade que os indivíduos experimentam que os leva a descobrir um sentido de eu e lugar dentro de suas comunidades e do mundo maior, e, em última instância, os ajuda a achar significado e objetivo em suas vidas."6
Buscamos nesse conceito uma nova maneira de compreender a base de todo um aprendizado mais significativo, que inclui o desenvolvimento espiritual, por meio de uma educação que priorize os princípios fundamentais das relações humanas: respeito, diálogo, ética e reflexão. Precisamos ativar uma educação que acolha o humano e mudar a percepção de nossa consciência e de nossa realidade. A escola e os professores precisam se reinventar nessa nova jornada, buscar uma estrutura que construa uma educação pautada no desenvolvimento da espiritualidade como condição humana, se quisermos ter uma vida melhor, menos superficial, banal, sem sentido, que valorize a ética em toda e qualquer relação.
Em 1994, no Convento de Arrábida, Portugal, foi realizado pela UNESCO o I Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, daí nasceu o Manifesto da Transdisciplinaridade - um convite para repensarmos o novo paradigma, a busca por um saber comum:
Artigo 2 - O reconhecimento da existência de diferentes níveis de Realidade, regidos por lógicas diferentes, é inerente à atitude transdisciplinar. Toda tentativa de reduzir a Realidade a um único nível, regido por uma única lógica, não se situa no campo da transdisciplinaridade.
Dessa forma, faz-se emergencial reconhecer na ciência contemporânea o caminho para uma nova lógica que permite a reavaliação sobre Quem somos nós? E o que a educação pode fazer para evitar tantos problemas de relações interpessoais? Consideramos fundamental para nossos estudos rever a física quântica e as novas pesquisas que exploram as relações mente e cérebro.

AS IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS DA FÍSICA QUÂNTICA E A MUDANÇA DE PARADIGMA

"A ciência descobriu a espiritualidade. Hoje, há uma teoria científica logicamente consistente sobre Deus e a espiritualidade com base na física quântica e no primado da consciência (a ideia de que a consciência, e não a matéria, é a base de toda a existência). Noutras palavras, embora a mídia ainda não alardeie isso, temos agora uma ciência viável da espiritualidade ameaçando uma mudança de paradigma e passando da atual ciência com base na matéria que estimula exclusivamente a materialidade."(Goswami, 2010)1
Nosso propósito é o de divulgar o novo paradigma frente à Educação seja com quem for, onde for. Partimos do princípio de que somente por meio da educação e do conhecimento o homem poderá desenvolver-se como ser humanizador, um processo, ainda, em construção. Nesse sentido, vemos o ser humano como um ser de possibilidades para aprender a vida em todos seus aspectos. Para a compreensão dessa proposta, precisamos pensar primeiramente na questão do paradigma sob o qual vivemos. O paradigma é uma percepção geral da vida; é um consenso sobre a maneira de entender, de perceber, de agir a respeito do mundo; é uma visão de mundo, a que nos submetemos, de forma consciente ou não, para organizarmos nossas vidas.
Hoje, estamos vivendo um momento de transição de ideias, de valores, de relações, de paradigmas. Para compreendermos melhor a questão dos paradigmas, vejamos o antigo modelo que ainda está instalado em nosso modus vivendi - o paradigma da Modernidade, e o paradigma que estamos buscando viver urgentemente - o paradigma da Pós-Modernidade.
O paradigma da Modernidade ou paradigma mecanicista é interpretado segundo as ideias de René Descartes (século XVII). Para ele, o mundo natural deve ser visto como uma máquina. Descartes desenvolveu o Método Cartesiano, partindo de Galileu, acreditava que a chave para a compreensão do universo era a estrutura matemática; daí ter uma visão mecanicista de mundo. A certeza cartesiana é matemática, ou seja, se em uma máquina algo vai mal, é preciso descobrir o defeito da parte danificada e trocá-la, para que volte a funcionar.
Nesse sentido, o olhar é local, é para as partes e não para o todo. Vamos transpor essa ideia para a Educação. O ensino é compartimentado, ou seja, fragmentado, não passa para o aluno a visão do todo, mas a visão de cada conteúdo que precisa memorizar: História, Geografia, Ciências, Matemática, Línguas, Artes, tudo é visto de forma estanque, sem ligação, não há interdisciplinaridade, isto é, para se compreender as coisas, é preciso separá-las. Todo esse conteúdo fica descontextualizado e longe de sua relação com a vida do homem. Para complicar, toda nossa educação hoje visa o Vestibular, a competição e não o conhecimento de mundo e o autoconhecimento, fundamentais a esse processo. Entra em cena o acúmulo do conhecimento para ser descartado, quando não for mais necessário medi-lo.
A educação tornou-se, portanto, competitiva, desumana e o conhecimento cumulativo. O conhecimento não se transforma em saber, passa a ser mero produto para ser descartado, quando não servir mais para os testes que o nosso sistema econômico/educacional implantou no mundo. Para que serve uma educação que apenas mede o acúmulo de conhecimento? Como fica ação dos professores? Que seres humanos estão por trás de uma educação que des-humaniza? Quantas crianças e jovens, além de professores, estão doentes, hoje? São doenças psicossomáticas, autoimunes, doenças de relacionamento: bullying, depressão, estresse que acometem nossos alunos durante e pós o período escolar, marcas que ficam na pele, difíceis de tratar. Por que toda a sociedade age dessa forma? Queremos ter, cada vez mais, e educamos para o poder e o ter desmedido. Vivemos a inversão de todos os valores. Já passamos da fase do "mal estar da civilização" de Freud. Estamos voltando à barbárie? Numa sociedade que perde de vista o humano, sua sensibilidade resta o desumano. Para onde caminhamos? A resposta é clara: precisamos decrescer - urgentemente, como aponta Latouche7:
"A palavra de ordem 'decrescimento' tem como principal meta enfatizar fortemente o abandono do objetivo do crescimento ilimitado, objetivo cujo motor não é outro senão a busca do lucro por parte dos detentores do capital, com consequências desastrosas para o meio ambiente e, portanto, para a humanidade. Não só a sociedade fica condenada a não ser mais o instrumento ou o meio da mecânica produtiva, mas o próprio homem tende a se transformar no refugo de um sistema que visa a torná-lo inútil e a prescindir dele."7
Outro exemplo que podemos citar é referente à dificuldade de aprendizagem. A criança que apresenta alguma dificuldade é olhada como portadora única do problema, compete a ela resolvê-lo, caso contrário vira um aluno rotulado, aprisionado, sem capacidade de sair do lugar que lhe ditaram. Essa visão novamente é local e individual, perde-se de vista o sujeito como um todo, reduzindo-o a um aluno com dificuldades, estigmatizado, reduzido ao não-saber e ao sofrimento.
Já na medicina, a relação médico-paciente repete a relação de poder e saber do professor-aluno. Basta olharmos para as "n" especialidades médicas que existem. Os especialistas tornaram-se exímios em olhar para as partes. Se alguém está com algum problema nos rins, por exemplo, eles é que devem ser olhados, independentemente, do sujeito que os carrega. É tudo muito local, prático e pragmático, como se o ser humano fosse uma máquina, um ser lógico. Essa é a visão de mundo que impera: fragmentada, compartimentada, a valorização de cada parte, sem conexão com o todo, privilegiando a competição, a luta, a individualidade. Sob essa visão de mundo que opera com as leis da matemática, temos uma visão positivista da realidade, que permite a objetividade e o rigor nas ciências, uma visão de mundo mecanicista, uma visão ilusória sobre a neutralidade científica. Esse movimento tem nos levado a um mundo de crises individual, social, política, ambiental, uma crise global que ameaça a todos e ao planeta. De acordo com Latouche7, está mais do que na hora de mudarmos o foco:
"O altruísmo deveria prevalecer sobre o egoísmo, a cooperação sobre a competição desenfreada, o prazer do lazer e o éthos do jogo sobre a obsessão do trabalho, a importância da vida social sobre o consumo ilimitado, o local sobre o global, a autonomia sobre a heteronomia, o gosto pela obra sobre a eficiência produtivista, o sensato sobre o racional, o relacional sobre o material, etc. Preocupação com a verdade, senso de justiça, responsabilidade, respeito da democracia, elogio da diferença, dever de solidariedade, vida espiritual: eis os valores que devemos conquistar a qualquer preço, pois são a base de nosso florescimento e nossa salvaguarda para o futuro."7
Atualmente, estamos lutando por uma nova visão de mundo mais adequada às novas descobertas científicas e à vida que tem se desenvolvido. Estamos sob um novo paradigma ainda trabalhado de forma teórica, temos de divulgá-lo para que possamos vivenciá-lo no dia-a-dia de nossas vidas, seja na escola, na profissão que exercemos, no médico em que nos consultamos, em todas as relações que possamos estabelecer. A escola precisa se rever e abrir espaços para a humanização das relações. Será preciso ensinar a empatia, a inteligência emocional, a sensibilidade e a ética, urgentemente.
Em todos os campos das ciências contemporâneas, temos observado novas descobertas e uma adesão ao novo paradigma, pois as descobertas têm conexão e estão convergindo para o nosso conhecimento como seres humanos irmanados, como uma só pessoa, na comunidade humana.
Até mesmo na linguagem, em seu vocabulário, já percebemos as diferenças. Se antes falávamos em fragmentação, individualidade, em conhecimento das partes, em especialidades e especificidades, em objetividade, em rigor científico, agora, falamos em rede, conexão, interação, multiplicidade, interdisciplinaridade, multidisciplinaridade, conhecimento transversal, co-responsabilidade, co-construção, possibilidades, diversidade, sistemas. Um vocabulário voltado para as relações que estabelecemos com a vida, de forma coletiva, cooperativa, complementar, ética, co-responsável.
Parece haver uma convergência ao que foi separado: ciência e religião. Penso que seria melhor falarmos em ciência e espiritualidade.
Assim, estivemos agindo e estamos frente à nossa casa, o nosso planeta - Terra - que sob o paradigma moderno, é visto como um planeta apenas, sem a menor ligação com nossas vidas. Estamos no planeta, quando deveríamos pensar que somos o planeta e que, por isso, requer cuidados. Temos de ser pela vida. Seja ela como for, de quem for, onde for, de forma ética. Somos seres de relações e de aprendizagem: a vida é construção, um processo de aprendizagem o tempo todo.
O novo paradigma, o da Pós-modernidade, nomeado por paradigma sistêmico ou holístico, rejeita essa velha visão de mundo, partindo, portanto, de novos pressupostos como interação e relações; uma visão sistêmica, cuja proposta é a inter-relação do homem com a natureza e sua saúde física, mental, emocional e espiritual.

CONEXÕES: A DOENÇA NASCE NA ALMA E VAI PARA O CORPO

Cada parte do universo está em nós, em cada um de nós, portanto, somos o universo, estamos todos conectados. E o que nos conecta? A energia, essência da vida.
Vivemos num mundo material e também somos matéria. A matéria é formada por átomos - qualquer matéria (animal, vegetal, mineral) - e um dos componentes essenciais à matéria é o átomo formado por prótons, nêutrons elétrons. Seu núcleo é formado por energia condensada. Logo tudo que existe no universo é feito de energia, desde a caneta com que escrevemos, às estrelas, os grãos de areia, até nossos ossos... O mundo material é constituído por um conjunto de moléculas, ou seja, de átomos - que é energia condensada.
O que significa, então, energia condensada? Energia significa força, potência, capacidade de realizar trabalho. Dessa forma, dentro de cada átomo (que nos forma) há energia e as partículas que o compõem vibram o tempo todo, estão em movimento. Se pudéssemos ver as coisas, as pessoas, em um nível macroscópico, veríamos pontos em vibração contínua, o que possibilita nossa materialidade.
Tudo é vibração - energia - nossos corpos, também, são feitos a partir da vibração de energia que emanamos constantemente. Somos pequenos pontos de moléculas em vibração coesa e contínua - o que nos dá a impressão da materialidade. Tudo no universo vibra, se movimenta em diferentes velocidades.
Hoje, a ciência contemporânea tem comprovado que a mente e o cérebro são independentes e que mesmo após a morte do cérebro, a mente continua a se manifestar. Compreendemos, também, que a mente tem a capacidade de alterar a matéria. Somos seres que pensam e os nossos pensamentos circulam por todo nosso corpo e fora dele. Logo, na teoria quântica que estuda o comportamento da matéria e da energia em nível subatômico, o pensamento é energia que pode transmitir para o cérebro físico vibrações de nossos impulsos, emoções e sentimentos positivos ou negativos.
Por meio de estudos, como os de IRMF - Imagens por Ressonância Magnética Funcional e EEGQ - Eletrencefalografia Quantitativa - que mede as correntes elétricas na superfície do escalpo - refletem os registros gráficos das ondas cerebrais, essas ondas podem ser estaticamente analisadas, traduzidas em números e depois reproduzidas como um mapa colorido. A partir desses estudos, já se sabe que muitas ondas de energia como a beta são típicas de forte atividade consciente e muitas ondas teta são típicas dos estados de meditação profunda. Ainda se sabe que o padrão de onda cerebral lenta (ondas teta) não é exclusivo da tradição cristã, foi encontrado em iogues hindus e monges budistas, portanto, parece ser uma característica de misticismo generalizada, ou seja, uma forma de conexão com o que nos transcende, com uma energia supramental. De acordo com Beauregard & O'Leary8:
"Como vimos, várias linhas de comprovação demonstram que os fenômenos mentais alteram significativamente a atividade cerebral. Essas linhas incluem nossos estudos de IRMF sobre observação emocional objetiva e o impacto da terapia comportamental cognitiva na fobia de aranha, além dos estudos de neuroimagens funcionais do efeito placebo. Os resultados dessa última série de estudos deixam bem claro que a atividade cerebral pode ser motivada pela crença e pela expectativa mental do paciente em relação a um tratamento médico proposto. Para interpretar os resultados desses estudos, precisamos de uma hipótese que explique a relação entre a atividade mental e a atividade cerebral. A hipótese de tradução psiconeural é uma delas. Postula que a mente (o mundo psicológico, a perspectiva da primeira pessoa) e o cérebro (que faz parte do chamado 'mundo material', a perspectiva da terceira pessoa) representam dois domínios diferentes em termos epistemológicos que podem interagir porque são aspectos complementares da mesma realidade transcendental. A hipótese da tradução psiconeural reconhece que os processos mentais (tais como vontades, metas, emoções, desejos e crenças) são neuralmente demonstrados por exemplos no cérebro, mas afirma que não são idênticos nem podem ser reduzidos a processos neuroelétricos e neuroquímicos. Na verdade, os processos mentais - que não são passíveis de localização no cérebro - não podem ser eliminados."8
Recentemente, cientistas conseguiram, também, uma forma de fotografar o percurso do pensamento em três dimensões, como um holograma - tomografia por emissão de pósitron - conhecida como PET. Na tela se vê que a imagem formada a cada pensamento, se modifica. Daí compreendermos que, na Teoria Quântica, pensamento é igual energia que tem vibração, o que cria e materializa nossos pensamentos, o que cria, portanto, o mundo material.
Portanto, se apresento um pensamento distorcido, posso criar uma molécula distorcida - aqui pode se dar o início de uma doença. A doença, então, não nasce no corpo, como muitos cientistas materialistas acreditam, vem d'alma, de nossas emoções, pensamentos e se aloja no corpo, por um desarranjo molecular. Pensamento é energia em alto grau de velocidade e o pensamento está dentro e fora de nós - ele vibra com o universo. Daí conclui-se que a matéria gera energia, que gera consciência.
Tudo dentro ou fora de nós, já que estamos todos conectados (somos um), depende do que valorizamos, cremos e pensamos. Somos seres de energia, portanto, podemos transformar, alterar a realidade - pois existe uma conexão entre pensamento e realidade. A cada dia, compreendemos mais e mais que nossos pensamentos criam o universo físico. Toda a ciência, tudo o que construímos nasce em nosso pensamento primeiro e daí concretizarmos no mundo físico. É fundamental que entendamos a importância e as implicações dessa energia em nossas vidas, ou seja, matéria = energia = consciência ou consciência = energia = matéria.
O pensamento atua e modifica todo o processo vibratório de energia dentro e fora daquele que pensa. Podemos dizer que o observador altera a coisa observada, sempre. Dessa forma, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas emoções - que são vibrações - criam um transtorno sobre a matéria em que são projetadas. Sendo assim, é necessário alinharmos pensamento/ sentimento/emoção, para acessarmos o equilíbrio de nossos corpos.
Não podemos esquecer que a matéria é movida pela energia e a energia por nossa consciência. Nossa observação, nossa atenção e nossa consciência sobre nós mesmos têm a capacidade de interferir em nosso processo de desenvolvimento. Por isso, devemos ter cuidado com o que pensamos e pensar de forma positiva, é preciso tornar nossos pensamentos alinhados com o que é positivo.
A atenção é a focalização da consciência que é a manifestação no mundo por meio da matéria; das situações, dos fatos - a consciência processa realidades - sob o foco da consciência, as coisas se concretizam. Nesse sentido, tudo o que determinamos por meio de nossos pensamentos, o universo conspira e realiza; pois a energia que usamos para isso obedece à informação do pensamento. Portanto, é preciso crer para ver, já que somos o que pensamos - temos não o que queremos, mas o que cremos. Assim, devemos cuidar, além de nossas ações, atitudes, de nossos pensamentos que geram a materialidade.
Hoje, já sabemos que a frequência energética mais alta é o Amor; pois ele impacta no ambiente de forma material - produz transformações no ambiente em que nos cerca e, até mesmo, em nosso DNA. Podemos compreender tudo isso do ponto de vista da ciência contemporânea, especialmente por meio da física quântica ou por meio das religiões (ocidentais e orientais) que o homem construiu ao longo dos séculos. Entretanto, uma coisa é certa, não é mais possível negar que temos uma dimensão que nos conecta a algo muito maior de onde emanamos. Com certeza, uma energia tão positiva que irradia Amor. Logo, essa é a frequência com que devemos nos conectar para evoluirmos como seres humanos.
Esse é o momento de articularmos os saberes, sejam eles científicos ou espirituais, porque tudo isso faz parte da condição humana, assim como ter um inconsciente. Dessa forma, Codo3 nos traz uma ampliação sobre a compreensão do burnout:
"Paradoxalmente, o que significou uma certa crise de identidade das ciências físicas e biológicas trouxe um alento vigoroso para as ciências humanas, afinal, esta foi a nossa dificuldade, sempre soubemos que os fenômenos que nos tiram o sono são multideterminados, agora temos modelos melhores de análise, e, o que é melhor, podemos conversar sem a presença incômoda do riso irônico de nossos colegas dedicados às ciências exatas. A nossa ciência continua não sendo exata, mas agora a deles também deixou de ser, ambos sabemos que a busca é a multideterminação, ambos deixamos de buscar a "A Relação", e passamos a investigar as múltiplas inter-relações."3
Esses saberes que nos compõem precisam ser divulgados e recuperados, para darmos conta de uma vida melhor, nesse planeta, nesse momento. Somos todos aprendizes de um novo paradigma em que a vida é muito maior do que pensamos: somos mais do que a matéria e navegamos pelos tempos trocando aprendizagens. Somos uma forma de energia que emana da Criação.
Podemos finalizar com Codo3 e deixarmos a seguinte reflexão "O caminho mais difícil e também o mais prazeroso é o de enfrentar o desafio, mudar as perguntas, encontrar novas respostas."3

DEPOIMENTOS

Consideramos relevante trazer as falas de uma professora e de uma psicopedagoga para a ilustração desse trabalho:
"Os nossos encontros me trouxeram como principal aquisição a ideia clara e cristalina de que a pesquisa, assiduidade em nossas leituras e, principalmente, a reflexão compartilhada, nos traz conhecimentos e recursos outros que, por vezes, no dia-a-dia, nos escapam. Também esclareceram que, na minha prática profissional, eu preciso estar sempre atualizada em relação aos recursos intelectuais que minha práxis exige, como também de troca com os outros, porém mantendo o meu equilíbrio emocional, portanto olhando sempre para dentro de mim. Às vezes em que falávamos de autores e de textos preocupados com nosso desempenho, na maioria delas ou quase sempre, estavam vinculados à visão do homem como um todo, suas ações de cordialidade e desprendimento para com o mundo, destacando o respeito às diversas categorias de problemas e situações psicossomáticas, num processo incessante de inclusão. (...) O leque de possibilidades de leitura e de pesquisas, o conhecimento de áreas pelas quais nunca havia caminhado e o empenho das pessoas que participaram dos encontros foram determinantes para o estímulo de minha vontade de estar junto, de sair na minha folga disciplinadamente para ir ao encontro de algo que me preenchia, me desafiava e me deixava inquieta em relação às coisas que ia aprendendo, socializando e descobrindo. A reflexão de situações como inclusão, respeito, autoconhecimento, ciência, religiosidade, responsabilidade, curas através do autoconhecimento com a ajuda da física quântica, percepção do outro, identidade, nos fizeram sabedores de que é necessário o exercício constante da reflexão, a fim de podermos agir o mais coerentemente possível, quer seja na nossa prática profissional, como em nossa vida pessoal. 
Lucila F. - professora
"Fiquei muito feliz ao iniciar o trabalho com o grupo. Para mim, é um espaço para o desenvolvimento pessoal e profissional. O primeiro estudo foi muito pertinente ao que estamos vendo e vivenciando nas escolas enquanto profissionais. O texto que tratou da síndrome de burnout trouxe reflexões para identificar em nós e nos professores, de maneira geral, o empobrecimento de estímulos profissionais, o desgaste que é angariado com o passar do tempo de trabalho. (...) conversamos sobre os caminhos que o ser humano traça sua história, no que ele acredita ou não, do que é importante na vida ou não, valores, pensamos sobre o capitalismo, o consumismo, a correria do dia-a-dia, a falta de amor nas relações profissionais e para consigo próprio, no desgaste interior que conduz à doença. Doenças que se iniciam na alma e depois atingem o corpo físico. (...) Assim, concluo dizendo que os momentos que passamos nas discussões foram esclarecedores, principalmente, um ponto de encontro para trocarmos e dividirmos nossos anseios, dores e sonhos." 
Mara L. R. - psicopedagoga

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estamos a todo tempo agindo, tomando decisões por termos um paradigma que nos rege e que nos faz caminhar. O homem é um ser de relações e, por isso, não vive sem o outro. Essa é a lei do humano: viver relações, cujo objetivo maior é a aprendizagem. Precisamos do outro para nos compreendermos e para aprendermos a vida.
Essas são questões que nos propõem um exercício de reflexão e que nos comprometem com a vida que temos em nossas mãos. Talvez o único sentido de estarmos aqui nesse mundo: compreender para nos aperfeiçoarmos, constantemente, enquanto seres humanizadores, seja quais forem as relações estabelecidas e iluminarmos os caminhos daqueles que por nós passam.
Estamos iniciando um novo século, uma nova era, um momento em que o homem busca seu autoconhecimento, bem como o movimento do ser com o cosmo, uma busca pela espiritualidade, por uma ética humanizadora. Começamos a pensar o planeta como nossa casa, casa do humano, da vida humana. Toda e qualquer atitude inadequada conjunta e/ou isolada frente à vida e ao planeta pode nos colocar em risco; pois somos parte intrínseca da natureza e qualquer dano a ela recairá sobre nossas vidas.
Precisamos transformar a educação como ponte para esses novos valores, e o professor é essencial nesse processo. Cabe a ele pôr em andamento a nova perspectiva, por isso é fundamental que sua saúde emocional, física e espiritual seja redimensionada por meio de espaços reflexivos, onde a troca reflexiva por meio da conversa possa transformar suas relações de forma equilibrada e apoiada. Ao final dessa primeira etapa, percebemos que o professor não pode caminhar sozinho, precisa do acolhimento emocional, por meio de espaços (dentro ou fora da escola) que propiciem a conversa, a troca, para enfrentar o dia-a-dia e usar da criatividade, da esperança, da possibilidade de transformar a escola num espaço mais humanizado.

REFERÊNCIAS

1. Goswami A. O ativista quântico: princípios da física quântica para mudar o mundo e a nós mesmos. São Paulo:Aleph;2010. p.9;13.

2. Moraes MC. O paradigma educacional emergente. São Paulo:Papirus;1997. p.227-8.

3. Codo W. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis:Vozes;1999. p.238;247.

4. Andersen T. Processos reflexivos. Rio de Janeiro: NOOS - Instituto de Pesquisas Sistêmicas e Desenvolvimento de Redes Sociais; 1991. p.56.

5. Souza IML, Follmann JI. Transdisciplinaridade e universidade: uma proposta em construção. São Leopoldo:Editora Unisinos;2003. p.15.

6. Souza M. Engajando a mente, o coração e a alma do aluno de educação religiosa: educar para o significado e conexão. In: Incontri D, org. Educação e espiritualidade: interfaces e perspectivas. São Paulo:Comenius;2010. p.107-8.

7. Latouche S. Pequeno tratado do decrescimento sereno. São Paulo:WMF Martins Fontes;2009. p.4;43.

8. Beauregard M, O'Leary D. O cérebro espiritual: uma explicação neurocientífica para a existência da alma. Rio de Janeiro:BestSeller;2010. p.185.


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

PULSÃO DE MORTE OU PULSÃO DE VIDA – PODEMOS ESCOLHER!
Sobre tantos casos, em especial, o de Goiânia

Atribuímos as mais diversas pessoas e situações – a CULPA. Buscamos, com frequência, o CULPADO, para aliviar nosso sentimento de justiça, de indignação. No entanto, nos esquecemos de que não há um único culpado, em muitas das histórias que vivemos, o que também não justifica a agressão, o ato de matar. Todos temos nossa parcela de contribuição na história em que vivemos, no contexto em que atuamos. 
Ainda não compreendemos que estamos todos ligados, gostemos ou não, fazemos parte de tudo e de todos. Somos uma só pessoa e tudo reverbera. Nossa consciência ecoa e afeta o mundo, de alguma maneira.
Faço um convite aos pais e aos educadores para refletirem sobre nossas crianças e nossos adolescentes. Os filhos precisam dos pais, do seu acolhimento, do seu carinho, de sua presença, da sua interação real. Se os filhos não tivessem a necessidade, fundamentalmente, psicoafetiva de seus pais, não haveria o cordão umbilical, os cuidados, após o nascimento. Somos os únicos seres dependentes de outros, é o outro que nos constitui como seres humanos. Nesse sentido, não estamos sós, nem é essa a nossa herança informativa coletiva. Fazemos parte de uma grande Consciência e dela nos revelamos, afetando uns aos outros em nossa caminhada, e, de alguma forma, afetando tudo ao nosso redor. Nossa responsabilidade humana é vital. Infelizmente, usamos toda a tecnologia disponível, bem como os mais sofisticados conhecimentos, para o mal, mesmo querendo o bem, acabamos dirigindo nosso desejo, nossa energia para a morte. Tudo fica impregnado de morte: violência, agressividade, brincadeiras... Catarse? De alguma forma, estamos nos isolando por “n” motivos. Resta uma solidão que machuca, que frustra.
A escola, no meio desse processo, repete o contexto, não compreende a realidade e não se permite adentrar as questões da alma, do afeto, da saúde emocional. O ser não se encontra, não tem um lugar na escola, na família, na sociedade. Para onde vão as almas de nossas crianças e adolescentes, de nossos jovens que sofrem sem saber do vazio que invade suas vidas, que não compreendem os rumores da vida?
O desfecho mais uma vez encena a morte, a morte do corpo, a morte do filho, a morte de uma história, a morte de um amigo, enfim, a morte das relações. Responsáveis: laudos de transtornos, síndromes, bullying, dificuldades de tudo, o que mais nesse contexto em que todos estamos abandonados? Mal estar da civilização – muito de tudo, mais o ter do que o ser. A essência? O perfume da vida interior – os cuidados, o acolhimento, o olhar nos olhos de nossas crianças, de nossos adolescentes? 
Restou nesse episódio, como em tantos outros (repetição de padrões) - o culpado – o bode expiatório – que revela o sintoma de uma sociedade adoecida, cega – um tipo de cegueira confortável, perigosa onde habita o faz de conta, a falta do humano, da verdade, da nossa singularidade.
Sempre há um culpado, vamos em frente...
Falta energia de AMOR – pulsão de Vida. O que fazer? Olhar nos olhos e sentir a alma que mora naquele corpo, converse com a alma, converse pelo olhar de seu filho, de seu aluno, pelo olhar das pessoas.

Rossana A. Angelini
25/10/2017 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A FORÇA DA PALAVRA



 “Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Por que a boca fala do que lhe transborda o coração. O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que será justificado ou condenado.” (MATEUS – 12: 34-37)

A FORÇA DA PALAVRA

         A nova física já comprovou que tudo no universo é composto por moléculas, desde nossos corpos até as estrelas. Tudo é formado por átomos que contém em seu núcleo prótons, nêutrons e elétrons. Dentro dos átomos há energia que vibra. Logo, toda matéria é formada por pequenas moléculas que estão unidas em constante vibração. Dessa forma, temos a materialidade de tudo no universo – movido pela energia.
         Há algum tempo, o cientista e fotógrafo japonês, MASARU EMOTO, quis provar que a força da palavra pode alterar as moléculas da água – transformando seus cristais de acordo com os sentimentos, as emoções que emanamos por meio da vibração das palavras pronunciadas. Dito e feito! O cientista teve êxito em sua pesquisa e em 2007 comprovou que palavras que destilam raiva, ódio, temor, sentimentos negativos, tinham a capacidade de gerar energia negativa e transformar os cristais d’água em figuras distorcidas e feias; já as palavras que expressavam amor, bondade, beleza alteraram a estrutura molecular d’água formando belos Cristais. 
         Você já parou para pensar nas palavras que pronuncia e o quanto elas podem danificar sua saúde, sua realidade espiritual e material? As palavras nascem de nossos pensamentos que exalam vibração, é como uma onda que se desdobra em outras infinitas ondas ou como um eco que fica reverberando no universo. Imagine, então, o quanto de energia negativa fica ecoando no universo com todo mal que proferimos o tempo todo? E, ainda mais, quanta energia negativa, atraímos, quando entramos em sintonia com o negativo, com as baixas frequências: palavrões, agressões verbais, palavras desconstrutivas, que ofendem que causam dor e amargura? Essa energia expressa cria “coisas” para nós e para o universo, não nos damos conta, afundamos num lodaçal.
         Hoje, já sabemos que nosso corpo é composto por 70% de água, imagine-se, então, todos os dias pensando e falando mal de seu corpo – com certeza – você o deformará, adoecerá por conta da energia negativa que você dispensa o dia todo. Quando pensamos com raiva de alguém ou desejamos o mal para alguém, observe: a situação de ambos só se agrava e piora. Agora, imagine essa pessoa, com quem você não se dá bem, numa redoma de luz, sendo iluminada por bons pensamentos, com certeza, haverá uma mudança de energia para o bem de ambas.
         No entanto como é fácil cair na cilada do mal, das más palavras, de retribuir a pedra que nos foi jogada com tanto vigor, principalmente, quando essa pedra vem das relações familiares. Deveríamos aprender a contar até dez, antes de partirmos para o ataque, por mais ofendidos que tenhamos sido, porque o ataque verbal não tem fim, vira uma enxurrada de grosserias que tem por único propósito revidar a falta de amor com a mesma moeda. A lei de Talião entra em cena novamente, e novas pedras são lançadas quebrando e machucando os corações. Nesse momento, o melhor é respirar, não responder a essa desordem; pois o mal fomenta o embate, dessa forma, pode vencer e nos levar a trágicos desfechos.
         Precisamos nos preservar, ficar atentos se quisermos viver no Amor: “Uma palavra branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a cólera. A língua dos sábios ornamenta a ciência, a boca dos imbecis transborda loucura. Em todo lugar estão os olhos do Senhor, observando os maus e os bons. A língua sã é uma árvore de vida, a língua perversa corta o coração.” (PROVÉRBIOS – 15: 1-3).
         Portanto, alinhar pensamento, emoção e sentimento de forma positiva e amorosa é fundamental para que possamos atrair coisas boas. Lembre-se você é o que pensa, o que fala, o que se materializa, porque antes das coisas acontecerem, você já as pensou. Procure se alinhar com o Amor, com a Luz para que sua vida possa fazer sentido e trilhar no caminho da Paz.

“Nenhuma palavra má saia da nossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de nós, bem como toda a malícia. Antes sede um com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-nos uns aos outros, como também Deus nos perdoou em Cristo. (Efésios – 4: 29-32)
Rossana Maia Angelini


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Será possível ver o outro como a nós mesmos? - Ode ao Amor



“Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios. Os que Ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos. E aos que predestinou, também, os chamou, e aos que chamou, também, os justificou, também, os glorificou. Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
(Carta de São Paulo aos Romanos – 8: 28-32)

Será possível ver o outro como a nós mesmos?
Ode ao Amor

Por que estamos aqui, nesse planeta com essa consciência e espírito?
Somos seres competitivos, agressivos, lutamos para vencer. Não compreendemos o outro e não toleramos suas diferenças. A vida, então, para ser vivida requer muito esforço, muita sabedoria e, acima de tudo, muita aprendizagem. Precisamos aprender tudo, e o outro é o nosso mestre nessa curta jornada. Sem ele não somos, não construímos nossa identidade, nosso percurso.
Aprender, portanto, requer o outro. Somos frutos do outro e nossa caminhada é com o outro que nos humaniza – por meio da aprendizagem. O outro é nossa matriz de aprendizagem, ensina-nos por sua modalidade. Assim, construímos nosso aprender, para que possamos enfrentar a vida. Posto que a vida é plena de enfrentamentos. Dessa forma, o outro deveria ser venerado, como a nós mesmos, como nosso irmão em carne e espírito, nosso espelho, aquele que deveria nos iluminar. Entretanto, não é isso que ocorre. O homem mata, devasta, corrompe, engana, maltrata, oprime, é perverso, faz guerra – tudo para a garantia de seu poder e de seu dinheiro, em consequência ativa sua arrogância, sua vaidade, sua mesquinhez espiritual, pior! – não se dá conta.
Então, nos questionamos sobre esse mundo em que vivemos, tantos homens diferentes, culturas, formas de pensar, filosofia, religiões, são muitos os aspectos que nos diferenciam. Sofremos de uma eterna “enfermidade espiritual”. Guerras vão e vêm e nada aprendemos, parece não ter fim tamanha dor humana. No entanto, em contrapartida há o bem, tão pouco divulgado e aclamado, parece ruir frente ao terror que se construiu, principalmente nessa sociedade pós-moderna que enfrenta a pior de todas as dores: a rejeição, a solidão, a depressão, a falta de amor. Freud já previra isso, nós apenas confirmamos e acentuamos tal profecia.
Afinal, já que somos seres materiais e espirituais, quem rege nosso espírito? Porque a matéria é regida pelo humano, e infelizmente, o humano não está dando conta de transformar esse planeta num lugar melhor, pelo contrário, cada vez mais, sentimos a iminência de uma nova guerra na porta de nossa casa. Novamente, a reflexão se coloca: espiritualmente quem somos nós?
A ciência tem-nos demonstrado, por meio da matéria, da sua formação atômica e de sua vibração que tudo no universo é energia em vibração. Tudo vibra na polaridade negativa e positiva. Quando entramos em sintonia com o que nega, com a falta de luz, temos as doenças, o mal-estar, o peso dos dias, as dificuldades, as dores; ao vibrarmos em sintonia com o positivo com a luz, tudo se ilumina e nossas vidas ganham um aroma de paz de amor. Ou seja, ao entrarmos em sintonia com o mundo, com as coisas do homem, nosso mundo se limita e se torna pesado; ao entrarmos em sintonia com o espírito nossa dimensão transcendental – parece se alargar, como se irradiasse uma força maior que nos move. Eis aqui a questão, estamos falando de força, de energia, de espírito, logo estamos também no terreno dual: força do bem e força do mal.
Quando pensamos na criação do mundo, do ponto de vista criacionista, está claro no Evangelho que a esse mundo foi precipitado o príncipe das trevas e regido, portanto, por um ser inferior que tem inveja da Luz e de todo Amor da criação divina. De fato, percebemos, sentimos essas forças atuando em nós, ao parar para sentir e procurar dentro de nós de onde vem a dor, a felicidade, o sofrimento e o amor. Por falta de amor, quantas tragédias, quanto ódio se plantou e se planta no mundo. Gerar amor é vibrar na direção da Luz, de uma vida plena de esperança e prosseguir na caminhada pela vida.
Qual será o segredo, então, para entrar no caminho do amor? Já que parece algo tão difícil dentro da condição humana em que vivemos? Gostaria de entrar por um caminho que não tem sido nada valorizado em nossa sociedade, aliás, é motivo de escárnio, de fraqueza e de toda dor humana: o amor! Não vamos falar de um amor apenas carnal, mas de um amor que envolve o espírito, que vai além do que conhecemos, transcende. E dentro da história de tantos amores que vivemos nesse planeta, não podemos deixar de compreender o maior de todos os amores por nós, um amor de mais de dois mil anos, que mudou a história do mundo e, ao mesmo tempo, nos dividiu, porque não sabemos o que é o amor, muito menos, o amor incondicional de alguém por nós: o Amor de Jesus!
O Amor incondicional de Jesus está cravado na história da humanidade, ao longo dos tempos, foi conhecido, negado por alguns e reconhecido por outros. Jesus foi o único ser que veio à Terra, com uma missão, nos salvar e nos redimir de tanta falta de amor; o único ser que veio como homem e que ressuscitou, que reapareceu e subiu aos céus pelo chamado de um Ser maior que a tudo criou. Porém; somos tão inferiores, nessa questão, que não compreendemos. Essa compreensão, muitas vezes, vem pelo conhecimento, pela ciência atual que tem nos aproximado de incógnitas sobre a vida e seus mistérios ou vem pela fé ou vem por um chamado.
O chamado de Deus é irrecusável, nos paralisa e nos põe de joelho perante sua fonte inesgotável de Amor. Esse Amor sentido, vivenciado não tem como não ser acolhido e proclamado, porque a vontade é sair pelos quatro cantos do mundo irradiando esse Amor, falar sobre Ele, ensinar sobre Ele, e o quanto Ele pode modificar as vidas: libertar, curar as feridas do corpo e do espírito, verdadeiramente! A sintonia com essa Luz, com essa Energia, com Deus é inigualável, ela permite a interação cósmica, ela permite a Força irradiada por um Espírito infinitamente de Amor e Bondade. Parece mágica! É a mágica de Deus.
Nesse sentido, a salvação para todos esses problemas está no Amor – o único caminho para nos salvar da dor que entorpece e suga nosso mundo. Como ser feliz vendo tanta miséria, tanto terror, tanta falta de amor?
O amor é o único caminho para reverter o mal. O amor gera uma energia de luz, abranda os corações e promove a infinita bondade, permite-nos olhar nos olhos do outro, profundamente e nos deparar conosco como num espelho espiritual. Faz-se emergencial deixar a lei de Talião: olho por olho, dente por dente, de lado, porque o mal gera mal, amarga o coração, reveste-nos de uma couraça de dor que nos impede de viver em paz. Não é fácil, para nós, pobres seres humanos que mal nos amamos, responder ao mal com amor. É extremamente difícil, o perdão é difícil, só é possível se estivermos guiados pela Luz da bondade infinita, da misericórdia, pela compreensão extrema de olhar o outro com fraternidade; pois o amor é o caminho para aniquilar o mal.
Geralmente, a falta de amor nasce de um abandono de uma rejeição, de um ódio transferido ao mundo e às pessoas mais próximas. O ciúme gera a inveja que gera o mal. Esse ciclo nos encapsula e nos impede de ver o outro como a nós mesmos. Para amar o outro, há de se investir no amor para consigo mesmo, perdoar-se, primeiramente, de pensamentos e atitudes que ofenderam outros e perdoar aqueles que nos ofenderam. O perdão possibilita a cura da alma, o que permite o resgate do ser. Perdão e diálogo, essa é a essência para a conquista de um sentimento pleno e iluminado. Sem o perdão, sem a misericórdia não há possibilidade de Amor. Coloque em ação essa possibilidade e tudo se transformará em sua vida e na vida daqueles que estão ao seu lado.
Se somos, verdadeiramente cristãos, temos de viver no amor de Cristo, o amor que Ele nos ensinou por meio de suas sagradas escrituras; pois somente Ele propicia a Força da compreensão e da Luz Divina por sermos guiados pelo Espírito Santo – quem cuida de nós e nos ampara, quando lhe rogamos seu fogo de amor e seus dons, a fim de nos libertar de uma vida tão rasa e mundana.
Jesus Cristo veio para nos salvar de nós mesmos, de nossa escuridão de alma, das trevas de nosso mundo, de nosso olhar impuro, de nosso viver amargo. A cruz em que Jesus Cristo morreu é a cruz que todos carregamos ao longo de nossas vidas. Viver em Jesus Cristo, viver com Cristo significa amar incondicionalmente, amar tudo e todos, apesar de todos os pesares. Como é difícil, porém não mais extremamente difícil do que foi para Jesus que derramou seu sangue na cruz, a fim de redimir os homens de seus pecados, de suas dores, de sua falta de amor. Jesus Cristo vem para nos ensinar a amar incondicionalmente e a perdoar com o espírito, para que possamos viver no caminho da Luz Divina e da Paz do Senhor.
O primeiro passo é amar-se e, para tanto, perdoar-se é essencial. Pedir perdão por tantos dissabores e pecados que construímos ao longo da vida. O mundo não é regido por Jesus Cristo e, sim, por entidades do mal, das trevas, para se chegar a Jesus Cristo é preciso encontrá-lo no silêncio do Espírito, a fim de que nos liberte dos grilhões da ignorância e da opressão. Dessa forma, o amor requer ser ensinado por meio da palavra sagrada, somente assim as futuras gerações poderão compreender a vida em Cristo, o porquê de ter morrido por nós e a necessidade de reencontrá-lo para redimensionar a vida em nosso planeta, o sistema perverso em que vivemos e que nos cega, exatamente porque sua ordem é das trevas, da opressão para o privilégio de uma minoria e a dor de milhares e milhares de seres humanos.
Descobrir o amor em Cristo é a chave para a humanidade se libertar, o que Jesus veio fazer: libertar o homem dele mesmo. É descobrir aquilo que a ciência tem apregoado: somos todos um, somos uma única só pessoa. Estar com Cristo é a mais plena alegria de subverter essa ordem capitalista selvagem que desumaniza e oprime, que implanta valores desnecessários, para que o capital continue girando continuamente, à custa de tanta miséria, dor e ignorância, frutos da loucura humana.
O amor de Cristo não se esgota, ele se renova continuamente em nossos pensamentos, em nossos corações, em nosso espírito. Sentir a Presença é uma dádiva, é o Encontro com o Sagrado que tudo ilumina e reencanta a fonte da vida. Entrar em sintonia com a Luz de Cristo é permitir-se sair da escuridão da vida regida pela frieza das leis dos homens. Conectar-se com a energia pura de amor é poder trilhar seguro na paz , em sintonia com um amor que nos transcende e nos vivifica por essas estradas tão pedregosas da vida que seguimos, quando nossos olhos estão entorpecidos.
Por isso ser tão fundamental alinhar pensamento, sentimento e emoção com o bem, com a generosidade, com a caridade, com o olhar de humildade sobre o outro que sou eu.
“Amar o próximo como a ti mesmo” – estamos todos conectados, somos uma única só pessoa. Temos uma profunda ligação química, física, emocional, espiritual. Somos todos um, como aponta a nova física. A dor de um é a dor do outro, a alegria de um é a alegria do outro, precisamos sair dessa letargia que nos envolve e buscar a clareza de nossa situação, para conhecermos nossa natureza que se alia a um Ser infinitamente Superior, envolvido por uma Luz de Amor Eterno. 
Precisamos nos dar a chance de viver o Amor, enquanto, ainda, podemos.

Queridos,
O meu chamado chegou. Estou aqui nesse momento, depois de um grande período de recolhimento, reflexão, vivências e sentimentos. As palavras que agora se depreendem de minhas mãos estão instaladas em meu espírito para compartilhar com vocês, um pouco do que tenho aprendido, nessa nova caminhada. Deus nos abençoe!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

PRESENÇA



           Rossana Maia Angelini

Foi pela razão que confirmei a mais sublime fé.

Como é difícil colocar em palavras a Presença. Muitas vezes, ela brota em lágrimas do mais puro Amor e Encantamento com Algo que nos transcende. Nesse momento, a tudo supera, tudo se apaga como só existisse uma força de Amor que magnetiza e que envolve o coração, de tal maneira, que não há como não sentir tal egrégora de Luz e de Amor. Fica tudo tão Iluminado e tão Forte que não há palavras, não há gestos, a não ser a gratidão de poder receber tanto Amor.
De fato, não tem como não se dobrar a esse Amor que emana. E quanto mais me aproximo, mais me sinto ligada a essa Força que, de tão plena, me faz querer ficar, cada vez mais, perto desse Espírito. Encher-me de tão Gloriosa Energia. Foi pela razão que confirmei a mais sublime Fé. Há chegado o momento de buscarmos a Luz que nos move para o Amor e para a mais delicada forma de viver: o amor incondicional. Estamos para aprender e, assim, vamos caminhar, até encontrar o verdadeiro sentido da vida, sua sutileza. Estou envolvida em Teus mistérios.
Caminhei muito até chegar aqui, nesse plano, nessa condição. Quando o coração apertou demais, quase estrangulando todos os conceitos, toda a vida que construí, um chamado (agora entendo) aconteceu. Precisei aquietar meu coração, e lá na Igreja – onde as pessoas se encontram para se conectar com Algo muito maior – fui totalmente encapsulada pelas palavras de Jesus, na Bíblia. Era o que faltava para aprender que tudo está em nós, nossa vida, nossa morte, nossa alegria, nosso sofrimento, nossa dor, nossa cura, nossa eternidade. Tudo está em nós! Desde que saibamos e creiamos em Uma Energia Maior – Deus – de quem emanamos e voltamos, quando estivermos prontos. Estar pronto aqui é amar com o mais puro amor a tudo que nos cerca. Isso demanda tempo, idas e vindas em novas vidas para aprender.
Estamos num momento muito delicado. A Verdade é soberana e os chamados são muitos para que possamos ver além da ilusão da materialidade, em que nos mergulhamos. Deixamos de olhar para dentro, para o sublime de nossa vida espiritual, de nossa consciência. As dores e os sofrimentos são os frutos que estamos colhendo por nos afastarmos tanto de uma Conexão Divina – a nossa essência espiritual. Precisamos rever nossos valores, rever nossas necessidades e darmos um passo à frente onde a chave é a Conexão com Deus (Consciência Supramental; Energia de Luz).
Estou há muito tempo buscando compreender essa Presença que me tira do eixo. Uma das formas que encontrei foi o caminho da pesquisa, da ciência, e como aprendi! Aprendi que os cientistas abertos são seres avançados que vêm para iluminar nossos caminhos, são Anjos que nos guiam para podermos alcançar a Verdade. O conhecimento é revelado aos poucos. E como a ciência tem buscado! Por que o maior desafio é responder: quem somos nós? A que viemos? Para onde vamos? Os esforços são muitos e as aproximações dos conhecimentos entre as várias ciências, religiões e seitas são tantas que já não é possível refutar a existência de uma Consciência Maior e de vários níveis de consciência interagindo em todo o universo; pois somos ainda crianças nesse estágio planetário, filhos difíceis em aceitar, em encontrar, em se conectar com a Luz. Somos, sim, seres espirituais numa experiência corpórea. A consciência é anterior à matéria. E tudo está antes na consciência para depois se materializar. Então como não crer?
Hoje, dobro-me, ao Pai, não há mais como não entender! Às vezes, as lambadas da vida vêm para nos fazer acordar, e buscar, e acreditar na providência divina de onde tudo emana e de onde vem nosso poder de amar, de curar, de reverter processos, desde que estejamos conectados a essa Energia de Luz (Deus, Pai Todo Poderoso). Somos divinos com a Divindade. É tudo muito simples, a própria ciência contemporânea tem nos dado evidências  de uma CONSCIÊNCIA SUPRAMENTAL (Deus) – onde estamos todos conectados.
Compreendo, agora, as antigas religiões, o quanto nos ensinaram, para que, por meio da ciência, pudéssemos encontrar a Verdade sobre nós. Creio que a síntese está cada vez mais próxima: Religião e Ciência caminhando para um único objetivo sobre quem somos nós. A razão e a fé estão dando as mãos, para que tudo seja revelado; pois já estamos num tempo de redimensionar a vida em todos os seus aspectos, antes que a maldade, a dor, a angústia, o temor, o pânico sejam senhores de nossas vidas. Invocar e se conectar a uma CONSCIÊNCIA Integradora é o único caminho que temos para viver uma vida melhor, centrada na comunhão com os demais e com a vida em todos os planos.
Torna-se essencial assumirmos o novo paradigma: “A mente, a consciência atua fora do cérebro” – o que já está mais do que provado. Cabe-nos, então, entender que somos seres espirituais vivendo em uma experiência corpórea, pois nossa energia muito adensada pelas questões da própria materialidade, individualiza-nos, nesse plano, e nos faz viver para aprender a Amar,e quanto mais amarmos, formos mais solidários, servirmos com o mais puro Amor, estaremos lapidando nossa essência e, com certeza, estaremos no caminho da expansão de nossa consciência, o que nos elevará para outros planos, dentro de novas constituições corpóreas, menos densas, até nos encontrarmos com o Divino, com uma essência de plena LUZ.
Cheguei a um ponto quase impossível de separar os conhecimentos: fé e razão, porque todos eles fazem parte de um único plano, o de aceitarmos nossa essência espiritual e caminhar, por meio da aprendizagem do amor, para  uma Energia Essencial de onde tudo emana. Há de chegar o tempo que venceremos essa condição tão desigual e opressora. Estamos no caminho, não há volta, precisamos refletir e escolher qual será o próximo passo; pois estamos todos comprometidos. Precisamos aprender a estudar, a ser curiosos, a buscar respostas, a dedicar momentos para nossa Conexão, a iluminar os caminhos de quem passa por nós, a nos comprometermos com nossa eternidade, a partir do que tecemos aqui. Precisamos parar de cultuar uma vida de ilusão fundada na matéria, unicamente. Somos muito mais do que tudo isso a que nos submetemos, basta aprendermos a nos conectar com Deus.
Que todos possam encontrar a LUZ que nos guia e que Ilumina nossos caminhos, eternamente!
***

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mudança de Paradigma – A Síntese Rossana Maia Angelini


  
Estamos num momento de transição de valores essenciais a uma vida plena de Luz, paz e amor. Todas as religiões clamam por isso, bem como todos os conhecimentos construídos, nas mais várias áreas da ciência. Tudo que se cria visa melhorar a nossa condição de vida. No entanto, tudo que criamos, também serve para o mal. Precisamos compreender a condição humana do ponto de vista das religiões e da nova ciência, a fim de que possamos fazer a síntese sobre: quem somos nós?

Quero iniciar esse texto a partir de algumas perguntas, para que possamos compreender a emergência de um novo paradigma:
Por que consumismo tanto? Por que acumulamos tantas coisas desnecessárias? Por que maltratamos o ambiente em que vivemos? Por que os governos não resolvem as questões da miséria (intelectual e cultural) das pessoas? Por que há tanta pobreza? Por que há uma distribuição de renda injusta? Por que o dinheiro arrecadado pelos impostos não revertem para as necessidades básicas das pessoas: saúde, educação, transporte e segurança de qualidade? Por que somos tão egoístas e competitivos? Por que a perversa diferença de classes? Por que tanta exclusão sobre o que nos é diferente (cultura, religião, sexo, etnia, raça, etc.). Por que tanta injustiça?
Creio que ainda faltam inúmeras perguntas. Faltam, também, respostas fundamentadas em algum paradigma para que se possa responder. Cada vez mais, nos desumanizamos e nos esquecemos de quem somos nós nesse mundo. Muitos nunca se perguntaram, e me parece que o intuito é esse mesmo: não se perguntar sobre quem somos nós, a que viemos?
Bem, ainda tenho algumas perguntas, como: Por que hoje se fala em ecossistema, em cuidar do planeta? Por que se fala em Ecologia, em Sustentabilidade? Por que se fala em incluir os diferentes? Por que se fala em humanizar as relações? Por que se fala de cidadania? Por que se fala tanto em ética?  E tantas outras perguntas...
Está mais do que na hora de colocarmos em ação o novo paradigma que nasce das novas descobertas científicas. Hoje já sabemos, depois de muitas pesquisas realizadas, que a mente (consciência) funciona fora do cérebro, ainda levamos em conta uma série de fenômenos que não podem ser explicados pela ciência materialista. Temos uma consciência que vai além do corpo, da matéria. Nesse sentido, não somos seres materiais, somos seres que têm uma consciência que nos transcende. Somos seres espirituais. Emanamos de uma consciência supramental e nos individualizamos de acordo com a vibração de nossa consciência, quanto mais adensada nossa consciência, mais materializados somos, e, portanto, ocupamos lugares (planos) diferentes no universo, por conta do adensamento de nossa consciência. Quando relaxamos nossa consciência e entramos numa vibração de baixa frequência, podemos expandi-la e isso possibilita sair da matéria. Somos, portanto, seres espirituais numa experiência corpórea; e nossa eternidade depende de nossa efemeridade, ou seja, somos seres espirituais navegando por diferentes vidas, cujo objetivo é aprender o amor incondicional, mas, para tanto, precisamos estar conectados com uma consciência Supramental, para que possamos reabastecer nossa energia espiritual com as forças da Luz. Quanto mais nos aproximamos do amor incondicional, mais, vamos nos espiritualizando, para renascermos em mundos mais iluminados, menos densos, menos materiais. Quando nos desconectamos de uma energia Maior ou de Uma Consciência Supramental (Deus) que é a fonte de toda a Luz do universo, ficamos no plano do adensamento da consciência, ou seja, nossa aprendizagem torna-se lenta e, portanto, teremos que caminhar por esse plano (material), várias e várias vezes, até aprendermos a importância do Amor Divino (amar o próximo como a ti mesmo); pois somos todos Um. Emanamos de uma fonte de Energia que a todos nos conecta, nos mais diferentes planos. Logo, para não cairmos na “roda da reencarnação” e viver vidas e vidas, sem sentido, precisamos buscar a compreensão e a importância de pôr em prática uma vida voltada ao bem de todos. Nossa missão é servir.
A nova ciência já descobriu todo esse processo, o que as antigas e novas religiões apontam, hoje: A consciência é anterior à matéria. Somos seres espirituais em uma experiência corpórea. Esse é um momento de transição, por isso, já não é mais possível segurar, esconder tal conhecimento, é preciso explicá-lo, expandi-lo, para que as pessoas no mundo compreendam sua verdadeira natureza e possam redimensionar suas ações, atitudes e relações. Cabe à Educação se rever dentro desse novo paradigma, para que possamos mudar todo esse sistema materialista, acima de tudo, tão perverso. O sistema social, político e econômico mundial precisa se rever, dentro dessa nova abordagem, para não retardar nossa evolução no planeta. Faz-se urgente buscar os novos conhecimentos, para que o mundo como um todo possa se beneficiar das novas implicações filosóficas que a ciência contemporânea nos traz.
Vivemos sob um sistema extremamente materialista, torna-se urgente mudarmos essa concepção, para que a vida se torne menos depressiva, angustiante, suicida e tão adoecida. Todo aquele que buscar essa compreensão torna-se responsável, para ativar esses conhecimentos e fazer a síntese entre as religiões e a ciência. Essa síntese é fundamental, para que possamos avançar, evoluir, nesse plano, e transformarmos esse “vale de lágrimas” um plano menos denso, mais espiritualizado, a fim de que possamos encurtar o caminho do sofrimento, para vivermos uma vida plena.

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