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Tal qual uma matrioshka (boneca russa), vamos desvendando nossas porções. A cada novo tempo, uma nova aprendizagem. Agora é o momento de nos vermos como seres holísticos que têm: corpo, organismo, cognição (intelecto), inconsciente (desejo) e mente (consciência, espírito).

ANGELINI, Rossana Maia (2011)

“A falsa ciência cria os ateus, a verdadeira, faz o homem prostrar-se diante da divindade.”

VOLTAIRE (1694 -1778)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Texto para reflexão: Pais, Filhos, Educadores


Rótulos – as implicações da fala na relação com a criança.

Tudo é aprendizagem. Viemos para aprender e esse processo se inicia já no ventre da mãe. Logo, é preciso que pais e educadores propiciem terrenos férteis para que a autoria e a criatividade do sujeito sejam expandidas.                            ANGELINI, Rossana, 2011


         Estamos “no olho do furacão”, expressão que tenho ouvido com certa frequência, nessa passagem de paradigmas: da Modernidade para o da Pós-Modernidade. Os tempos estão difíceis, alta tecnologia, informações em excesso, muitas possibilidades de conexões. O mundo virtualiza-se cada vez mais, falta pele, falta alma, falta presença, falta diálogo, aquela troca profunda de saberes, de experiências contadas entre os amigos e os familiares, quando os olhares se encontravam e se encantavam com as deliciosas e saborosas histórias vividas na trilha da vida.
         Tudo parece passar muito rapidamente, tudo é instantâneo e pragmático, uma sociedade fast-food, onde tudo está descartável, tudo abreviado pela urgência de um tempo que se faz coisificado pelo poder, pelo dinheiro, pelo sucesso. Cultiva-se a brevidade, a velocidade...
         Logicamente, essa modalidade se reflete na linguagem. A  maneira como conversamos com as crianças espelha essa emergência de tudo. É mais fácil e rápido dizermos “você é...” do que utilizarmos os “por quês?...” Estamos falando dos rótulos, aqueles que usamos, por meio de nossas construções linguísticas para definir alguém, ou melhor, rotular.  Os rótulos têm uma via de mão dupla, quem fala por meio de rótulos, fica incapacitado de pensar e quem os recebe também, principalmente se for criança; pois é na infância que sua personalidade se estrutura, por meio das falas e das atitudes dos outros.
         Rótulos – positivos ou negativos – aprisionam as pessoas, obrigando-as a agirem de acordo com o que esperam dela, sem refletirem sobre suas ações, suas atitudes. O inconsciente atravessa essa aprendizagem, bem como a mente, a consciência.
         Para aprender algo, o sujeito põe em jogo seu corpo, seu organismo, sua cognição (intelecto), seu desejo (inconsciente), sua mente (consciência). É dessa trama que nasce a aprendizagem. A primeira forma de aprender que construímos é pela ação dos outros e, simultaneamente, pela fala – a construção linguística que os outros utilizam para mediar uma aprendizagem.
         Do ponto de vista psicanalítico, Lacan nos aponta que o “inconsciente se estrutura enquanto linguagem”, ou seja, tudo que é falado paira no inconsciente da criança, do adolescente, do sujeito. Esse registro (o da fala), quando necessário, é acionado e lhe é atribuído um significado subjetivo. Por isso, é tão importante a forma com que falamos para as crianças.
         A construção linguística que rotula permite que o sujeito construa uma identidade própria, difícil de desconstruir. O rótulo é fechado, uma poderosa assertiva que condiciona, enquadra o sujeito em determinados tipos de comportamento e, com certeza, impedindo-o de pensar sobre o lugar que lhe foi destinado.
         Assim, a construção linguística pode ser poderosa nas relações interpessoais, pode libertar, pode acalmar, pode acirrar uma discussão, bem como pode rotular. É fundamental, então, que, como educadores, saibamos utilizar essa preciosa ferramenta: a construção linguística de forma libertadora; ela pode mover montanhas...
         São as perguntas que propiciam uma reflexão e uma mudança de comportamento; pois nos ajudam a pensar e a encontrar uma resposta, portanto, ao invés de usarmos assertivas, por que não usarmos as perguntas como recurso de reflexão e libertação para um tipo de atitude já estruturada?
         Do ponto de vista da mente, da consciência, os rótulos impedem a autoria do sujeito sobre seu comportamento, como se não fosse possível se autorizar para agir de forma diferente e encontrar novas soluções. O sujeito não pensa mais, e os comandos que seu pensamento lança ao universo é o de uma pessoa reduzida a uma classificação, esvaziando-o de seu poder, o que o leva a perder a confiança. Fica, assim, reduzido ao que lhe ditaram e sua mente fica condicionada e aprisionada.
Precisamos lembrar que tudo em nossa vida é uma construção, não nascemos prontos, o que somos e seremos depende dos processos de aprendizagem que vão sendo mediados por aqueles com quem interagimos. As crianças e jovens necessitam aprender a se libertarem dos rótulos, por meio da reflexão e do questionamento, movimento que só será possível por meio de uma educação que privilegie a autoria, a criatividade.
         Convidamos, dessa forma, o leitor a pensar: como podemos proceder enquanto educadores para que nossas crianças e jovens possam refletir sobre seus comportamentos, não se deixando aprisionar por rótulos?

4 comentários:

  1. PERTINENTE ESTA SUA PREOCUPAÇÃO COM OS RÓTULOS POIS, QUANDO NÓS OS ADULTOS SOMOS ROTULADOS PROTESTAMOS, TENTAMOS NOS DESVENCILHAR MAS, NEM SEMPRE OBTEMOS O SUCESSO DESEJADO. ISTO PORQUE A ERA VIRTUAL NOS COLOCOU DE FORMA CATASTRÓFICA ENGENDRADOS NESSA TEIA DE NOTÍCIAS, AVISOS, MODOS E MANEIRAS DE SER, DE VESTIR, DE FALAR, E ASSIM VAI....NOS DANDO POUCO OU NENHUM TEMPO DE PENSAR SOBRE O ASSUNTO.
    IMAGINE UMA CRIANÇA OU JOVEM AINDA IMATURO, DESPREPARADO E SEM EMBASAMENTO FAMILIAR E ESTRUTURAÇÃO PSICOLÓGICA QUE LHE RESPALDE AS DEFESAS. SUGA TUDO ISSO E SE SENTE INTERAGINDO E MODERNIZADO, RELUTANTE CONTRA QUALQUER POSTURA CONTRÁRIA.
    EDUCADORES REFLEXIVOS E PREOCUPADOS COM ESSA ORDEM DAS COISAS,PODE ESTIMULAR A AUTORIA E A CRIATIVIDADE DOS MESMOS UTILIZANDO A SOMATÓRIA DOS RECURSOS MAIS RUDIMENTARES COM OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS E PRINCIPALMENTE ENVOLVENDO O EDUCANDO NUMA AURA DE CURIOSIDADE INSTIGANTE QUE LHE PROPORCIONE PRAZER E DESPERTE SEU INTERESSE, ISSO EM RELAÇÃO A QUALQUER APRENDIZADO. LOGICAMENTE É UM PROCESSO BEM MAIS COMPLICADO DO QUE A SIMPLES METODOLOGIA ESCOLAR QUE AINDA IMPERA: " SENTA, CALA A BOCA E PRESTA ATENÇÃO".
    NOSSAS CRIANÇAS PRECISAM APRENDER A SE OLHAR, A INTERAGIR, A SENTIR O COMPANHEIRO, OU AUXILIANDO OU ADMIRANDO-O.PRECISAMOS ANULAR O CONCEITO DE QUE UM MENINO NÃO DEVE SER CARINHOSO COM OUTRO, ISTO NADA TEM A VER COM A SEXUALIDADE DE NENHUM DOS DOIS,A MESMA COISA SE APLICANDO A MENINA. TRABALHAMOS COM ESSAS CRIANÇAS SEMPRE BEIRANDO ESSA LINHA SUTIL QUE É A SEXUALIDADE, PRECISAMOS DETERMINAR MAIS OS NOSSO CAMINHOS E DELIMITAR AS NOSSAS PREOCUPAÇÕES. É TRABALHO ÁRDUO PORÉM NECESSÁRIO. ESTA COISIFICAÇÃO, COMO VOCÊ BEM DIZ, RESULTA EM COMPORTAMENTOS NIVELADOS EM CIMA DE APENAS ALGUNS FATORES PRÉDETERMINADOS. AMPLIEMOS O CAMPO DE VISÃO DE NOSSAS CRIANÇAS.
    COMO FAZER ISSO? REUNAMO-NOS COMO EDUCADORES ANTENADOS, REFLEXIVOS E PREOCUPADOS COM ESSA SITUAÇÃO, A FIM DE BUSCARMOS FORMAS DE TRABALHO QUE SEJAM EFETIVAS E NOS SINALIZE PARA ALGO MAIS EDIFICANTE E CONSTRUTIVO EM RELAÇÃO AO APRIMORAMENTO E EDUCAÇÃO DAS NOSSAS CRIANÇAS, NA TROCA DE EXPERIÊNCIAS DO NOSSO COTIDIANO E DA UTILIZAÇÃO E CONSEQUENTE NEUTRALIZAÇÃO DOS ASPECTOS NÃO MUITO LOUVÁVEIS QUE ESSA ERA VIRTUAL NOS TROUXE, PARA QUE ELA NÃO SE TORNE O ALGOZ E SIM UM DOS BONS RECURSOS DAS NOSSAS AÇÕES.

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  2. A FALA DAS CRIANÇAS, ESSA É UMA PREOCUPAÇÃO CONSTANTE DE EDUCADORES PREOCUPADOS COM A LINGUAGEM E A INSERÇÃO SOCIAL DAS MESMAS.
    ESSE MODELO DE VIRTUALIDADE, JÁ CITADO NO COMENTÁRIO ANTERIOR, TEM SIDO MUITO MAIS FORTE E DETERMINANTE NA FORMA DA ESCRITA E DA FALA DAS CRIANÇAS E JOVENS. E NÃO SE TRATA DE MODISMO, É UMA INFLUÊNCIA DA QUAL SE APOSSARAM AS CRIANÇAS OS JOVENS E POR VEZES,( E BEM FREQUENTE), SEUS FAMILIARES, E ATÉ ALGUNS PROFESSORES.
    A DESCULPA TALVEZ SEJA A COMUNICAÇÃO,JÁ QUE DE OUTRA FORMA NÃO CONSEGUEM, ACABAM SE UTILIZANDO DA FORMA DITADA PELOS JOVENS.
    EM TENRA IDADE A CRIANÇA JÁ CONSEGUE ENTENDER A LINGUAGEM VIRTUAL, ENTRETANTO NA ESCOLA ELA NÃO CONSEGUE ASSIMILAR A LINGUAGEM CONVENCIONAL, OU POR DESINTERESSE OU MESMO POR UMA PROFUNDA DIFICULDADE OU AINDA PELOS DOIS.
    É AÍ QUE SE ENCONTRA O "NÓ" DA QUESTÃO PARA OS EDUCADORES. COMO TRANSPOR A BARREIRA DA VIRTUALIDADE E RESGATAR O ESTÍMULO E O FASCÍNIO DA APRENDIZAGEM DAS PRIMEIRAS LETRAS? DA DESCOBERTA DOS SONS? DA CONSTRUÇÃO DE FRASES E CONSEQUENTEMENTE DE HISTÓRIAS?
    ENTÃO, É NECESSÁRIO QUE SE FALE BEM MAIS EM PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO, REFORMULAÇÃO, REESTRUTURAÇÃO DE UMA IDÉIA QUE FUNCIONOU POR MILÊNIOS, PORÉM HOJE NÃO MAIS TEM SENTIDO.
    E PARA TAL É NECESSÁRIO QUE SE MOBILIZE ESCOLAS, PROFESSORES,PAIS E TODA A COMUNIDADE ESCOLAR. COMO? SÓ SENTANDO E DEBATENDO EXAUSTIVAMENTE......

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  3. O presente artigo desperta a consciência de pais e educadores enquanto ao uso da fala, como um poderoso instrumento na construção da aprendizagem... Afinal, é sabido que as palavras têm poder, ou melhor, têm poderes...Canalizá-las para os poderes adequados; sem rotular; mas para edificar, estimular, libertar é o grande desafio.

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  4. Lucila e Débora

    Obrigada pela reflexão. Vocês redimensionaram o tema. Essa troca é essencial para ampliarmos nossos conhecimentos. Só assim poderemos construir uma sociedade melhor.
    Rossana

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